Uma bolsa de sangue raro coletada no Ceará cruzou o país, nesta quinta-feira (8), para atender um paciente que precisava de transfusão após um transplante de rim em Juiz de Fora, Minas Gerais. O Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce) mobilizou um doador compatível e organizou o envio da bolsa, transportada na cabine de um avião comercial, sob os cuidados do piloto.
Para encontrar um doador compatível, foi necessário recorrer ao Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR), que permite localizar pessoas com características sanguíneas específicas em diferentes estados brasileiros. Apenas seis pessoas estavam identificadas no cadastro como possíveis doadoras compatíveis com o paciente, sendo uma delas do Ceará.
A necessidade de um sangue tão específico se deve à ausência do antígeno Jsb no organismo do paciente. Presente nas hemácias da maioria das pessoas, esse antígeno provoca uma reação dos anticorpos identificados no paciente, impedindo que ele receba sangue de doadores que o possuam.
O pedido de sangue raro foi encaminhado ao Ministério da Saúde na quarta-feira (7), e o doador cearense foi contatado naquela noite. No dia seguinte, ele compareceu ao Hemoce para realizar a doação. A equipe confirmou a compatibilidade e antecipou os exames necessários para liberar a bolsa, que foi acondicionada em uma caixa térmica para o transporte até Minas Gerais.
Cooperação nacional
O transporte foi o segundo realizado no Brasil com uma bolsa de sangue raro na cabine de um avião comercial. A medida faz parte de uma articulação entre o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e as companhias aéreas para reformular o acordo de cooperação técnica que já prevê o transporte de órgãos destinados a transplantes e incluir também as bolsas de sangue raro.
Criado em 2013, o Cadastro Nacional de Sangue Raro conta com 2.032 doadores e já auxiliou no atendimento de mais de 300 pacientes. Por meio do cadastro, os hemocentros podem localizar doadores de outros estados quando não há sangue compatível disponível na região.
O Hemoce possui mais de 700 doadores identificados com características sanguíneas raras e, em 2025, tornou-se o primeiro hemocentro brasileiro a participar do Registro Internacional de Sangue Raro, sediado na Inglaterra e gerenciado pela Sociedade Internacional de Transfusão de Sangue (ISBT).